
A SOFREGUIDÃO DO NÃO-POETA
Data 25/05/2008 17:53:29 | Tópico: Poemas
| A SOFREGUIDÃO DO NÃO-POETA
Quero ser um artesão de palavras: Duras, dúcteis, viscosas, herméticas, Diáfanas, sinceras, profundas, singelas, iluminadas. Eu quero é ser poeta Pois este erige contínuas miríades de estrelas Sobre o céu de eternas noites enluaradas!
Quero poder afluir, Quando me der na telha, Ao feérico lago da espontânea Língua do povo: E, ao libar da sua água, Expelir-lhe as impurezas, Que são as chagas, as mazelas, O carcereiro da igualitária opulência, Para deixar que viva livremente O florescer incontinenti De castelos e mais castelos Da alacridade e dos felizes sortilégios Que emanam do eufemismo Da escrava gente.
Quero degustar O vinho tinto da galharda palavra A fim de homenagear a imponência Que cimenta os mínimos e máximos halos Da natura realeza.
Quero ser condigno Quero ser acuidade e sageza Quero ser humildade, vivacidade, gentileza Quero ser feiúra e esbelteza Quero ser a inane importância Quero viver perpetuamente [ No jucundo reino De ingenuidade Das crianças Quero ser ventania, poesia, proximidade, distância Quero ser o instante [No qual se encerra o segredo Da segurança, da solidão, da tristeza, Do medo, da coragem, da alegria, Da repreensão, da recompensa, do desejo Quero ser a imensidão Quero ser pequeneza Quero ser a imperfeição em evidência [Pois a perfeição É um atroz sofisma Da humana cabeça Quero ser a multidão Quero ser o átrio do sol solitário da certeza Quero ser a rocha, a rosa, o roxinol, o girassol, a orquídea, a açucena Quero ser a ametista, poeta em perene florescência!
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
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