
Escritos na Areia
Data 24/05/2008 15:19:10 | Tópico: Poemas
| Nos suores frios que me tomaram: sou água, Nas incertezas e vagas que naveguei: sou barco, Nos vôos de gaivota: sou esperança, Nos silêncios das palavras não ditas: sou rocha, Nas estrelas que esperei: sou bússola,
Sou água, barco, esperança e rocha: sem bússola. Sou rocha, esperança, bússola e barco: sem água. Sou barco, rocha, água e bússola: sem esperança. Na verdade mesmo, não sou nada!
Campeio a paz de segundos eternos, Mas não vivo tanto tempo assim. Procuro o bálsamo das cicatrizes, A luz brilhante das frestas, Mas sangram as minhas carnes no escuro, Tão escuro que eu apenas sinto, não vejo.
Encosta de montanha: encosto, Intransponível monstro de areia e sal, Salga-me a pele, esfola-me, Duna que dança em cada noite; Muda de lugar, muda de toque, Muda de temperatura...
Tanto tempo para desperdiçar, Tanto, que nem dá tempo!
Olho em volta do meu túmulo de alga e conchas, Estou deitada na areia fria, Estou morta?
Vivo assim, me olhando, espreitando, Sobrevivo do naufrágio do meu barco, Desafogo-me da água dos dias, E não espero nada, nada mesmo, Além das rochas, Das bússolas desmagnetizadas, Dos mapas comprados em camelôs.
(Pensando bem, isso não tem nenhum sentido. E precisava ter?)
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