Para e escuta A queda duma lágrima No lago da dor, Que penosa queda!
Para e sinta Essa dor… Dor que não vem duma flor, Mas d’alma duma criança faminta
Para e olha No rosto duma criança Que já não brinca na machamba Que já não tem fuba quente…
Oh, que fofa criança! Apesar do aperto da fome Na sua barriguinha de vento, Inda tem docilidade n’alma
Para e sinta O que sente uma pobre criança Sem teu amor, sem teu calor E sem fuba pra aquecer sua alma
Para e escuta A voz do teu coração. Rime amor com paixão E dê razão ao teu sentir
Sinta o que sinto, E no bom sentido do sentir Sintámo-nos o sentir duma criança, Que carece dos teus e meus afetos Pra afugentar fome na sua barriga de menino