
Surrealismo
Data 16/05/2008 22:48:52 | Tópico: Poemas
| Debruço-me sobre o precipício Num esgar de olhar apagado, De reticências disformes Que limitam um diálogo falhado Cores, formas e manias de vício.
As pernas receiam o movimento, Semeiam-se de tremideiras No rosto da aventura louca, Varejam como duas rameiras Num mexer constante e lento.
As íris crescem e decrescem Saltam dos seus púlpitos Em suores de calor, Dentro dos olhos subditos Que, incessantes, sobem e descem.
Caio desamparado no realismo, No sono de uma vida inteira Gozada no tempo que se perdeu, Remeto-me às mãos da parteira Que me segurou neste abismo.
Sou vida que morte renunciou, Sombra de espectros escuros E armadilha em deserto florido, Ainda salto os falsos muros Do sonho que pérfido me tornou.
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