Tanta sena para tão pouca libélula ou o pinga-azeite perdeu a oliveira antes de chegar à azeitona

Data 31/12/2024 05:46:48 | Tópico: Poemas





Quando caminhava,

encontrei uma flor de sena.

Há quem lhe chame arbusto de vela…

Vê-la fez recordar as primaveras apressadas,

os filhos dos pássaros a nascerem precoces,

antes do ninho ganhar a forma de asa dobrada.



Fez-me lembrar o nosso encontro.



Eu, libélula de cor ténue,

fugindo de ti,

imperatriz dançante de beleza,

escondendo a raiz do íntimo e da tristeza.



Olhei-te como olhei esta flor

e ganhei suspiros,

engordei sonhos.

Até filarmónica tocou no estômago.



Naquela tarde,

toquei de leve no teu calo.

Tive medo e o tempo certo errou

num cálculo simples.

Naquele momento,

só poderia ser multiplicado pelo bem querer,

materializando a coragem de amar-te,

atracar em teu corpo como um navio de longo curso,

delicadamente,

como fazem os flamingos

quando chegam ao estuário,

de pernas coradas

e de penas

ligadas à liberdade.















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