
Poema Luso-Aniversariante (50ª Poesia de um Canalha)
Data 06/12/2024 15:06:38 | Tópico: Poemas
| A última letra que escrevi era de carne e osso Foi poema na primeira vogal de um verbo teu Alegremente passeada de palavra em palavra Ria e chorava de alegria num tempo só nosso A terra à vista perdi-a de vista quando nasceu Dum chão rasgado pela vida que o adeus lavra
Estas páginas de incontáveis versos em poema Folheavam-se ao vento no outono das árvores E aqui a vida em lume de chão que ardia lenta Aconchegada por uns beijos tímidos de cinema Sussurrava entre os dois o doce aroma a flores E o mel que adoçava sorrisos à lua pachorrenta
O teu olhar encantado por outro olhar inocente Debatia-se nas dúvidas sobre qual amor queria E quantos viriam entre este e mais algum igual O corpo trémulo parecia uma criança descrente As mãos nos pés e a cabeça tonta que te fugia Abraço ou não abraço no beijo e não beijo final
Que quente e frio está o dia e que louco se fez De hora marcada com o velho destino ali vazio Ainda hoje outra noite passava assim por mim Esquecida de nascer noite como a vi dessa vez Louca e poeta que de negras sombras te pariu Essas mãos que te afagam tantas luas sem fim
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