Sobre a beleza da observação

Data 26/11/2024 16:09:31 | Tópico: Poemas

Eu preservo a forma como caminhas ao descer a rua,
cada passo um verso que dança entre luz e sombra,
como se cada pegada fosse uma sílaba
sussurrada ao vento que o envolve.

Preservo o ritmo, o balanço, sua maneira de entrar
na biblioteca, tocando os livros com reverência,
pausando para os abrir, ou avançando ao folhear cada página
com olhos que decifram os segredos do mundo,
leves como asas que roçam o ar em um suspiro.

Preservo o sorriso que ele desenha sem saber,
quando o sol se inclina e o mundo, por um instante,
transforma-se em tela, pintada apenas para ele —
e para mim, que o observo mais do que o vejo.

Eu guardo isso tudo dentro de mim, como quem guarda
um segredo ou uma prece; porque amar
é também saber deixar livre, é observar o voo,
e não apenas o pássaro revelado.

Guardar é permitir que cada momento se eternize
não confinado, mas na memória e
no coração, onde o verdadeiro valor nunca se perde,
mas se ilumina e ressoa, como poesia que nunca se cala.


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