ESCRITA

Data 19/11/2024 22:07:35 | Tópico: Sonetos

ESCRITA

Não basta rabiscar a folha em branco
Para trazer ao vulgo um verso amaro.
Carece antes passar noites em claro
Entre o desassossego e o querer franco.

Apesar dos pesares, não estanco
A ferida a jorrar-me o sangue ignaro…
Antes a fustigo até o desamparo
E choro de rir feito saltimbanco.

Trata-se, sim, da noite mais escura,
Esta escrita que faço à guisa de alerta
Àqueles que me leem a vida incerta.

Possam eles se valer de tal leitura
Ao recordar-me em hora tão sombria
Até na escuridão haver poesia.

Belo Horizonte - 06 01 2000



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