Do tempo e dos caminhos

Data 19/11/2024 20:25:35 | Tópico: Poemas




E o corpo, que já foi chão firme
Vai virando fenda de tropeços
Os ossos outrora troncos
Hoje, rangem como galhos secos.

Mas há um quê de bom nisso tudo
Que só quem viveu compreende!

Que a força que antes era nos braços
Agora mora no olhar e os passos
Que já foram léguas ligeiras,
Aprendem a contar histórias.

Há um saber na face antiga
Que o tempo concede de mansinho
Feito brisa que entalha as rugas.

E as dores?

As dores são como espinhos
Que protegem e ensinam.
Viver é enfrentar os Ventos
E o Sol a pino.

Assim, transformamo-nos
Em árvore enraizada mais na alma
Do que no chão.

A vida é uma travessia
E o tempo, um rio sem volta
Não acaba: transforma.



Este texto vem de Luso-Poemas
https://www.luso-poemas.net

Pode visualizá-lo seguindo este link:
https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=375516