Surrealidade

Data 30/10/2024 18:51:18 | Tópico: Poemas -> Amor


Surrealidade

São silêncios que saem desta boca,
palavras como lanças pontiagudas.
Transmutam-se na boca diminuta,
distante se vão os ecos das palavras.

Elevam-se suaves pelos ventos,
perturbando ouvidos distantes,
penetrando profundamente pensamentos
nas tardes quentes de phallus fecundos e animantes.

O tempo passa, cheio de ondas;
seus uivos denunciam sua jornada.
Meu Deus, alguém disse que a Terra não é redonda
e que toda surrealidade não é nada.

De longe, vejo esta contenda e penso que tenho
a sorte (ou o azar) de viver neste mundo.
Com as mãos, faço um desenho na areia,
e desfaço-o com um lento assopro profundo.

Agora, apenas lágrimas rolam em verdade,
rosas molhadas salpicadas de vermelho,
quando ao chão caem seus joelhos,
encharcando o solo com as dores da saudade.

Alexandre Montalvan



Este texto vem de Luso-Poemas
https://www.luso-poemas.net

Pode visualizá-lo seguindo este link:
https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=375144