
Vestido rasgado
Data 20/10/2024 03:43:20 | Tópico: Poemas
| A noite aos poucos se torna madrugada Algo entre ruas cheias e ninguém nas calçadas As bolas de papel amassado são como estrelas Espalhadas no chão escuro perto de minha janela
A maresia vem em ondas molhando meus olhos Enquanto os lábios ficam a cargo do Bourbon As folhas em branco algumas sujas de molho São o que me separam do calor de meu edredom
Valem mais como distração do que tentativas Uma delas resistiu a morte se prendeu à minha mão Rasgando-se como a vez que de forma expressiva Rasguei seu vestido extravasando toda minha paixão
Coloquei-a sobre a mesa escrevi sobre suas linhas Como o fiz sobre as curvas de seu corpo rendido E enquanto as ruas estavam vazias fazia você só minha Das linhas tirei uma poesia do vestido rasgado um gemido
Deus por abençoe os corvos da madrugada Carlos Correa
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