
O peso imenso das ilusões
Data 19/10/2024 12:00:14 | Tópico: Poemas -> Reflexão
| Se um tolo sobe a montanha Nem mesmo os animais irá ouvi-lo O sábio descansa em sua humildade Aguardando a sua vez de expressar A sabedoria é um bálsamo para a alma Quando se saber ouvir atentamente.
Existe uma violência em estar perdido Quando se caminha pelos campos da ilusão Nem mesmo as longas conversas fiadas São capazes de amenizar o sofrimento E, mesmo os dias sendo preenchidos de incompreensão, Essa violência acaba sendo ignorada.
Todos aqueles de palavras erradas Querem ser ouvidos como estando certos São seres de olhares velhacos Que tentam de toda sorte se darem bem Aproveitando das distâncias existentes Entre os pais e filhos, mestres e discípulos.
Alguns ainda estão acorrentados na caverna Iluminados pela escuridão da ignorância Preferem o comodismo, a zona de conforto, O caminho mais fácil de uma vida miserável Porque essa escolha os afasta da árdua batalha Em busca de uma aventura superior.
Quando encontrei o livro sagrado pelo caminho Fiz-me a pergunta crucial da existência Ouvi as vozes milenares de sábios e tolos Burburinhos e cochichos não inteligíveis Daqueles vultos que viviam nas sombras Que nunca puderam responder tais perguntas.
E assim, na solidão de um deserto escaldante, O poeta precisou carregar nas costas O peso imenso das ilusões perdidas no tempo As inúmeras indagações de cabeças ocas E as lamúrias de tolos incomodados com o saber Porque os olhos estão fechados para o mundo.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense www.odairpoetacacerense.blogspot.com
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