
Parabéns!
Data 17/10/2024 20:59:33 | Tópico: Poemas
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Na florista exígua do hipermercado escolhe com gosto, flor a flor, as eleitas que pretende no ramalhete, hesita, faz uma pausa, pensa e pondera sobre os tons da cortina, avalia se a paleta se combina, sim, porque ficarão no centro da sala, - (no seu céu?); ajusta um enquadramento equilibrado de cores e tamanhos, gosta de variedade, - ( manias…, dirão), todas são diferentes, preferidas pelos traços próprios, cada uma tem o seu significado ou simbolismo particular inerente a esse mesmo desejo plural. Na grande superfície a luz e o som são excessivos num tom quase impositivo, é mais um ano que celebram com gritos e histérico entusiasmo de trombetas em algazarra.
num gesto desvairado atravessa de rompante a luz da esplanada um buquê de flores em riste um sorriso sorrindo triste vendo o rosto amarrado, agastado com o mesmo cenário. ela, que leva a mala emproada, alma que há muito não existe e que mora ali naquele prédio num andar deslumbrante, passa, empurrando o tédio e a rotina de um dia torto rodeada do desconforto de mais um aniversário esquecido.
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