À procura

Data 26/09/2024 11:33:44 | Tópico: Poemas

Quando o olhar se desprende janela afora,
As pupilas ficam à procura das coisas desconhecidas,
E dos mistérios que possam pairar além daquela sabedoria,
Que julgamos um dia tê-la nas mãos.

Falta-me nesse instante,
Um pouco mais de coragem para a admitir,
Que por vezes é impossível reconhecer os lados sombrios,
E a minha covardia – como válvula de escape, cai na poesia.

O que se vê através dos vidros,
São os casais que ainda querem viver apaixonadamente,
Como se as estrelas de grandeza maior,
Ficassem diminutas diante desta adorável euforia.

Incessantemente revolvo as lembranças – doloridas ou não,
E chego à conclusão,
De que estar à procura,
E nato dos humanos, que teimam em tratar a vida com ironia.

Ao final – porque ele sempre chega,
Opto por pensar – quando me é de direito,
De que todos os poetas – desde o tempo mais antigo,
Fazem da escrita um ato único de preservar a memória.



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