
Pausa
Data 18/09/2024 16:52:32 | Tópico: Poemas
| Sorvi o último sumo do cálix da vida. Jamais do cale-se da boca Ou do cale-se d'alma Como a calma que já me anda pouca.
Três pontinhos... - Travessão Pausa: Dois pontos.
Consegue ouvir o canto? Conhece a nova canção? Será um Salmo santo? Cera nos ouvidos Eliminam a tensão Entretanto, alimentam a tentação.
Para todo defeito uma causa. Para todo efeito uma pausa. Para cada ato uma tola consequência Que anda me furtando a calma E o pouco que restou da minha pouca paciência.
(A espada quando exposta à carne Sabe bem quem será a derrotada).
Ouça o que te fala a consciência. Lembra-te da nossa canção? Lembra-te do adágio que diz Que onde anda o cavalo de Átila Não floresce mais jardim. Não ressuscita Jesus Tampouco Machado de Assis.
Onde toca a mão humana Algo se apaga e reluz Algo seduz e se (te) engana. Tipo assim, Algo se contradiz Quando o coração pulsa pus.
(O homem que não deseja nada Não merece ser feliz).
Sinta o gosto do fel Daqueles filmes ruins Em tvs de tubo Sobre obesas geladeiras Em quartos de motel Mas de motel chinfrim Que não tem papel Que não tem jardim Só alguma coisa cruel Que me morde o rim E o mais de mim.
Lembranças das primeiras alegrias, Dos primeiros atos falhos Das bandeiras hasteadas Pela arraia miúda Em dias de glórias, Nas frias noites de fúrias.
Reminiscências das primeiras poesias, Dos amantes das vogais Do descobrimento acidental De um encontro consonantal Da recusa do próximo Da trajetória dos ímpios De todos os defeitos Dos deuses do Olimpo Da Dieta Germânica E dos esquecidos no limbo.
(No universo do tudo Inveje o mundo dos mudos).
Que saudades que tenho De quando éramos lenho E das antigas moradas De paredes caiadas Em varandas com varais Pés de jaboticabas Folhas do Buritizeiro Esparramadas Entre as flores dos quintais Rescendendo nas laranjeiras Quando o vento beijava As folhas dos laranjais.
Da levada da chuva Escorrendo pela vala Violando a calçada {"A favela é a nova senzala"} Do céu coberto de raios Que desabavam Derrubando estradas E os sonhos de quem sonhava Seus sonhos de merda Que em nada davam.
Davam em noites de desesperos Madrugadas sem sono Em dias de sofrimentos medonhos, Ensolarados Ou extremamente feios Ou dias de geada Que queimava a planta Que matava a mata Juntamente com o gado.
E eu chorava quando lembrava Que quem acusa, defende. Que a boca que beija é a mesma boca que ofende. Que a mão que bate é a mesma mão que afaga. Que a boca que beija é a mesma boca que escarra.
Pausa! Pausa! Pausa!
Redescobri as amizades estéreis E as ilusões perdidas Num livro de Balzac.
Os primeiros passos, Os primeiros beijos, Os primeiros amores...
Ah, moun amour! Definitivamente a vida não é feita para amadores!
O mundo é feito de tudo Principalmente de dores. Crescemos como crescem os cães e as magnólias. Cada um de nós é de si os próprios atores E os próprios roedores.
Derrota é quando vencemos os outros e perdemos a própria vitória Já que muitas vezes derrotamos a nós mesmos Porque quando derrotamos alguém Perdermos também Perdemos tamanho.
Quando achamos que foi grandeza Perdemos nossa divindade Nossa crença e nossa arrogante humanidade.
Quem deixa de amar o outro, deixa de se amar. Quem promete perdoar e não perdoa Se torna água parada Se torna árida lagoa Se torna porta fechada
Porta fechada de casa não arejada Se torna escada que não leva a nada De casa de empresária psicopata Que vive atormentada por fantasmas De rainha portuguesa louca Entre gritos palacianos De Maria vai com as outras Dos desejos republicanos.
E haverá um dia, Depois destes bombardeios, Que se extinguirá, afinal, Toda espécie viva E só restará A estampa de um animal Tatuada em uma nota falsa de quem só visa trinta dinheiros.
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