DO MESMO BARRO (SONETO)

Data 14/09/2024 02:25:47 | Tópico: Poemas -> Reflexão

Do mesmo barro nasce o mesmo jarro antigo,
Moldado igual nas mãos do tempo eterno e mudo;
Rainhas, reis, mendigos, a essência traz consigo
Iguais vícios e defeitos, crimes e absurdos.

Toda etnia, país, cultura, fé e crença,
O orgulho, a violência, e a ambição sem fim;
O corpo sofre, e a mente a destruição pensa,
A voz que julga oculta o próprio mal afim.

Não há saber que limpe essa mácula no peito,
Nem ouro que a alma pura possa construir;
Sejam mulheres ou homens, domina o imperfeito:

O querer mais, o medo de perder e de ruir.
De um só barro nascemos, sem maior enfeito,
E ao pó do mesmo jarro vamos nos unir.


Este texto vem de Luso-Poemas
https://www.luso-poemas.net

Pode visualizá-lo seguindo este link:
https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=374389