Na plateia. Endeusados, os olhos. Esbugalhados. Bocas desmanchadas. Rasgadas como aves esvoaçadas.
Na boca de cena. Há uma mulher.
De boca graúda. Toda por inteiro. Pintada. Da carne em sopro.
Rasga o momento. Com palavras curtas. E com silêncio em largura. Luas e sóis. Iluminam as máscaras. Miradouros. De prosa e de poemas.
Com os dedos nas ancas. Meretriz de alpendre. De ser o mundo todo e de não ser o mundo de ninguém.
Teatral. Conta e canta. Espinhos e levantes. Pecados e vaidades. Flores com cores varadas. Plumas e ramos do tempo. Saem das arcas platinadas.
Taças de licor. Boquilhas. Cigarrilha de ponta avermelhada. São vícios de vanguarda. Com o trejeito da boca. Cai a lágrima alada. É a inocência. De pessoa em liberdade. Com as brumas do flabelo. Tece um voto a Apolónia. Com a metáfora. Ateia-se-lhe o corpo. Acende-se como magnólia.
Na boca de cena. Há sede da seda. Da palavra. Sedenta e sedosa. Sem segredo. Com ilusão fugosa.
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