
Deselegante
Data 10/09/2024 18:24:31 | Tópico: Poemas -> Amor
|  Deselegante
Suave como a folha seca que cai, sublime como o nascimento de uma vida. Terrível como o último suspiro, a angústia, a procura, a fuga que atrai somente uma vida perdida.
No inevitável fim que se aproxima, em meio ao vazio que se sente, a luta desesperada em buscar voltar a ser sempre semente, tentar, talvez, outras formas de amar. Um vazio intenso invade.
Viver em outras vidas, sentir o pensamento desesperadamente, sentir o desconhecido, a procura das coisas perdidas, amar eternamente uma alma fria e doentia.
Por que tanto egoísmo? Por que tanta cobrança? Por que se exige tanto, quando tudo serão apenas lembranças e um coração solitário? Não ser o que esperam, não ter nada para dar, ser apenas essência, um doce perfume no ar.
Somente uma febre, um homem ajoelhado a um altar em uma noite escura e fria. Quantos erros, quantas loucuras, quantos conflitantes sentimentos.
Uma viagem alucinante entre o sol e a lua, enfeitando os sonhos com mil flores, mas sentindo a alma nua por apenas alguns momentos em um mundo de horrores.
Caminhando no sentido contrário, o lamento: louco, tolo, inconsequente, distante. Não! Apenas ser deselegante.
Alexandre Montalvan
|
|