Da ficção

Data 11/08/2024 06:23:08 | Tópico: Poemas

Adormecer neste silêncio
de árvores e pardais
agora que recolheste à terra
inteira como uma águia real.

Agora,
as horas têm sede
da água do teu olhar
bebo a secura das fontes proveitosas e abundantes

corro os dias iguais
inventando todas as manhãs
a história que tomarei como um autocarro

invento as tuas formas
num esboço preliminar para que tudo dê correto
na solene hipótese que a tua ausência não se descubra

não ver a meio da jornada
as palmas das mãos sem as linhas da vida

e o bolso do casaco vazio da segurança de um segundo conto

nem sequer um poema curto de emergência

uns versos
contendo algumas metáforas
sobre o preenchimento do abismo.









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