
AMOR ENGANADO
Data 14/05/2008 17:02:24 | Tópico: Poemas -> Desilusão
| AMOR ENGANADO
Na simples fresca sala de fado Sentados em velhas cadeiras Ouve-se o fadista ousado Em poemas que são fogueiras
Arde o artista na emoção Evocando a vida descuidada Oferecendo-lhe golpes ao coração Vindos de sua mulher amada
Ao cantor corre-lhe em pranto Correntes lagrimas da vida Todos comovem-se com seu canto Desse fado de dor vencida
Ao lado do homem sofrido Há quem o ouve com paixão Sentem-lhe um amor traído Deixando-os em consternação
Seu amor está tão longe Nos lados onde sol vem Já pensou em ser monge Mas sua vocação não tem
Nesse fado de fogo infinito Dum amor não correspondido O artista solta seu grito Num soluço bem fugido
O povo na sala se agita P’la frieza da traição Ninguém ali mais acredita Que esta vida conceda perdão
Ela traiu um grande amor Numa atitude grosseira Deu ao coração a dor E um olhar que se incendeia O fadista cala sua voz Não mais vai cantar o fado Vive em sofrimento atroz Por um amor o ter enganado
E bem antes do sol nascer A sala ficou triste e vazia Escravo do amor vai ser O fadista da nostalgia
De: Fernando Ramos
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