
ÀS VEZES
Data 27/07/2024 15:18:19 | Tópico: Poemas -> Introspecção
| Às vezes me esqueço de comer Às vezes só penso em desistir Às vezes eu me canso de viver Às vezes quero apenas é sumir.
Às vezes me esqueço de dormir Às vezes mereço o que padeço Às vezes desaprendo de sorrir Às vezes até parece que pereço.
Às vezes meu lamento é alimento Às vezes desdenho o que conquisto Às vezes se esvai meu pensamento Às vezes nem sei porque persisto.
Às vezes minha boca nem disfarça Às vezes o que sei é sem sentido Às vezes minha força é uma farsa Às vezes o que busco até duvido.
Às vezes me invade o sofrimento E a noite se estende ao infinito Às vezes a alegria é meu alento E o dia é pequeno para um grito.
Às vezes eu me esqueço de sair Às vezes perco a hora de voltar E o calor do sol me faz sentir. Que aquece, às vezes, um olhar.
Às vezes me prendo num recinto Às vezes participo, inconsciente Às vezes a cidade é um labirinto Às vezes a alvorada é meu poente.
Às vezes o meu inverno é eterno Sofre em dia quente, teme o frio Às vezes o meu paraíso é o inferno Às vezes minhas lágrimas são rios.
Às vezes a jornada é temporária, Às vezes a companhia desconheço Às vezes a chegada, involuntária Às vezes, na partida, me aborreço.
Às vezes vejo estrelas no caminho, E, pelas ruas, caminho sem abrigo. Às vezes, silêncio, estou sozinho, Os amigos, às vezes, estão comigo.
Quando a dor invadir meu coração Às vezes só a tristeza me redime Às vezes o meu erro é a salvação Às vezes só a fraqueza me define.
Às vezes a metade é sem inteiro Na falta, não pode ser comprado Às vezes o que falta é o dinheiro Resta o desejo, jamais é saciado.
Às vezes naufrago em mar bravio A nadar, a agir, seguir em frente Enfrentar o pesadelo mais sombrio Lembrança da esperança ressente.
Às vezes amor, ilusão e solidão Os sonhos: miragens no deserto Às vezes eu encontro a paixão Às vezes, da dor, estou liberto.
Às vezes vejo que a vida é bela Igual novela e barco sem destino E, às vezes, lembro: a vida é vela Se apaga no escuro, em desatino.
Às vezes minha vida é um enigma, Mistério sem fim a cada instante Para cada "às vezes", um estigma, Um passo em falso, olhar distante.
O "às vezes", às vezes, é momento E de ouvir, a ecoar, a voz serena Os medos, fantasmas, tormentos Descansam. A sina é amena, plena.
Às vezes há sentido. O "real" mente. As emoções enganam, plenamente. Felicidade fugaz, mas não indiferente. Tantas respostas, porém ausentes. ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
— Estou com gripe. Não com depressão!!!!
O contexto criativo da obra deu-se após assistir a série "Uma Dose Diária de Sol" (Netflix, direção de Lee Jae-kyoo; Kim Nam-su), e conversas com várias pessoas sobre o tema tratado pela referida série.
Optei por revisar o poema com ajuda de profissionais (psicólogas e uma arte-terapeuta), que contribuíram com apontamentos importantes.
Também consultei quatro IA's (Inteligência Artificial) sobre como pessoas com depressão podem interpretar o poema.
Isso permitiu ajustes alguns em alguns versos, e a ordem das estrofes. É recomendável a leitura completa do poema para compreender a perspectiva do Eu Lírico.
Por sua vez, a leitura apenas das estrofes iniciais é perturbadora e desabonadora. Em todo o verso, mobilizo o recurso de "pensamentos intrusivos" e "fluxo de pensamento".
Em função disso, o arco narrativo do Eu Lírico é complexo. A leitura isolada de um verso ou estrofe, ou a primeira metade do poema, desconsidera a jornada do Eu Lírico, que termina por aceitar as incertezas como parte da vida.
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