O ARÍETE E O BRASÃO

Data 19/07/2024 10:45:08 | Tópico: Sonetos

O ARÍETE E O BRASÃO

À força de golpear, puseste abaixo
A porta almofadada de meu paço!
Após, vandalizaram todo o espaço:
Vitral em cacos; viga em desencaixo…

Eu cruzo o passadiço cabisbaixo,
N’um misto de vergonha e de cansaço.
Ao final, reaprumo o espinhaço
E contemplo ruínas de alto a baixo.

A um canto jaz o aríete que usastes
Tu e os teus contra mim, o temerário.
Junto de meu brasão deposto às hastes:

À máquina de guerra refratário,
O nobre escudo! Agora ferros-velhos…
Deixaste-me reinar, mas de joelhos.

Betim - 02 07 2024



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