
Seu Guerra
Data 11/07/2024 12:14:33 | Tópico: Poemas
| Seu Guerra é um fazendeiro que se diz de paz, apesar do nome. De paz, mas mata os trabalhadores de fome. Seu Guerra diz que ama a sua terra, Mas as suas serras derrubam sonhos, esperanças, Árvores e desejos de mudanças.
Nas terras de seu Guerra não se cultiva flores. A terra de seu Guerra é para os pés de senhores Que se banham de perfumes para mascarar odores. Ela é o corpo de um escravo cravado pelo lucro Que não cava o chão, mas pega os frutos. A terra de seu Guerra é a serra, é o corpo e é o ouro Que da massa tira o couro.
A terra de seu Guerra É uma guerra embutida na paz, É um faz de conta que faz, É uma conta que não conta nada mais Além do que interessa ao contador, É um rio que afoga o nadador, É a frente que fica para trás pisoteada pelos animais Que não precisam nadar Porque nada falta aonde o bando chegar.
Nas terras de seu Guerra há vidas e vidas. Os que moram fora da avenida, Nem sequer são peixes menores, são nelores A serem tangidos conforme o querer De quem dita como e onde o vivente vai viver. Nas terras de seu Guerra o bezerro berra e a mãe não vê.
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