Para Voz (17ª Poesia de um Canalha)

Data 08/07/2024 17:17:13 | Tópico: Poemas

Semeia-me aqui com o teu verbo desafinado
E saboreia-o recheado de metáforas ilegíveis
Em dicionários cobertos por gulosas palavras
Risca-me toda a página com cor do teu fado
Passo após passo nuns destinos improváveis
Onde se deita e deleita um olhar que lavras

Despe-me da noturna vaidade envergonhada
E toca-a levemente no lado negro que espelho
E ali se escondeu nas sombras do teu sorriso
Mata-me a fome de não ser poesia algemada
Calada e chata de meio poeta morto de velho
De um verso caído ao chão triste e impreciso

Lê-me nos olhos as rugas gastas destas mãos
Odeia-as quando serpeiam ávidas de epístolas
Nessas tuas alvas folhas num texto sem nexo
Sepulta-me na dor o sonho dos nossos irmãos
O breve crepúsculo das últimas ceias ridículas
Das inebriantes orações de um deus perplexo


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