
Chamas de Azul
Data 19/06/2024 18:02:55 | Tópico: Poemas
| Garça
pensaste-me círculo, e eu sempre fui esfera volume, área, dimensões a três força com que me expulsei de ti ainda de cordão umbilical
:Esplanada com vista, caderno com lápis e marijuana pra fumar. Três essenciais pró dia a dia. Pra escrever, práfundar:
rogas que fique, que viva, que sonhe, que dance e contigo morra em cinzas azuis. a cor das árvores que habitámos, coxas. Meu tigre alado, de onde me conheces?
o manicómio é a minha casa e visto Dior e Chanel, até a dormir. visto Perfume. remanescências da casca o mesmo lume da tasca. quente. tudo quente. e Tudo a latejar. das drogas, dos mundos, dos nervos.
:sentas à minha frente!!! de costas:
óculos pró sol, chapéu óbvio. um lenço Hermès pró caso… passeio alegre na costa, carta livre até à noite. as calças rotas nos joelhos não me denunciam. talvez o sapato novo. caro. um luxo no pé. bom de pisar. pra ninguém. pra mim. alguém?
:senti-te:
vou pedir adesivos com pasta de cocaína pra pôr no Umbigo como quem enjoa no movimento como quem deseja um ardor violento doente. até ao fim. uma crença eterna
:qualquer coisa te mexe, te incomoda:
Criança que morreste em mim, jura não quero qualquer tipo de cura, mas uma peste de Camus, uma cegueira de Saramago, branca e leitosa, anestésica como propofol um statu de quasi coma cego e branco morto pra luz pra lua, não o lume que continua a arder, a queimar
:Viras-te, mas já sabes: sou eu…:
o mundo eu não quero a vida só assim num reator nuclear, um átomo em reação de fissão. a forma da usina uma cama a arder, sem alarme ou extintor uma casa em obras por Portas partidas com janelas caídas
:rocha!:
levaste-me num Tango teu, nosso… leeento, leeento, rápido, rápido, leento, leento… oito, oito braços fortes que me seguram as costas e empurram e puxam, comandando, conduzindo,
como se nosso fosse tudo, sempre e agora, como se o meu fosse uma extensão do teu corpo que gira e um sapato vira com a velocidade da volta coxa como as Árvores, liberto o outro
e sinto muito o chão, o piso, o deslizar da pele do pé
:os teus olhos:
e eu, com um pé ainda nervoso, gracioso do sismo da valsa vienense que enlançamos sobre o vidro no mar volteia. roda agora. circula em círculo. espera! Esfera? completo e perfeito esse empernamento desfeito
:os meus não vês mas é irrelevante: :olhas através de mim: como radioatividade:
o vinho em lençóis de linho bordados lembra a tasca rasca onde morámos
:como íman levantas e vens: :levanto e vou: :e sentes apenas o perfume que se afasta: :volume que queres, queres e não tens:
com cursos de água no rosto, sem diques, um mar no peito apaga as minhas chamas Azuis, doença de quem pode apenas lembrar o futuro De Alice Maya
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