
Ruminando os pedaços
Data 09/06/2024 11:41:40 | Tópico: Poemas -> Desilusão
| No jardim onde outrora floresciam sonhos, Hoje repousa o silêncio das flores murchas. Teus olhos, que um dia foram faróis em meu mar, Agora são sombras que me evitam, frias e distantes.
O que restou de nós, senão memórias desbotadas, Guardadas em cantos escuros da mente? O toque suave da tua mão, agora um eco, Perdido no labirinto do tempo, inatingível.
Cada promessa feita, cada riso compartilhado, Desfez-se como névoa ao amanhecer. O amor, que julgávamos eterno, Foi tempestade passageira, deixada para trás.
As estrelas que contemplamos juntos, Hoje brilham com um brilho doloroso. Tua ausência pesa como pedra no peito, E cada suspiro é um lamento pelo que se foi.
Busquei em outros braços, em outros lábios, A cura para a ferida aberta, o consolo para a alma. Mas o vazio que deixaste em meu ser É um abismo que ninguém pode preencher.
Agora, caminho só, na noite silenciosa, Ruminando os pedaços do que um dia foi. Aprendo, com cada passo, a aceitar a perda, A transformar a dor em poesia, a saudade em força.
Que o tempo, senhor das curas, apague as marcas, E que, um dia, eu possa olhar para trás E ver que, embora perdido, o amor foi belo E valeu a pena, mesmo na sua fugacidade.
E assim, entre versos e lágrimas, Renasço, pouco a pouco, das cinzas do que se foi, Encontrando em mim mesmo a paz perdida, Reconstruindo-me, mais forte, mais inteiro.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense www.odairpoetacacerense.blogspot.com
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