
Até Logo!
Data 06/06/2024 13:03:13 | Tópico: Poemas
| Reminiscências antigas De um passado longínquo De outras eras, outros amigos Que me servem de prólogo Para este texto ambíguo Cujo título será " Até Logo".
Era uma noite mal dormida. Meu corpo cansado pedia ócio. A fadiga do trânsito, dos negócios... Uma voz em monólogo melancólico Deixava minh'alma mal ferida Quando repetia: "Até logo! Até logo!"
Talvez fosse o sibilar dos ventos Daquela noite estranha e intempestiva Que me surrupiava os pensamentos, Elevando-me ao mundo dos entes mortos De uma forma ilusória ou imaginativa Repetindo: Até logo! Até logo! Até logo!
Foi bizarro e bisonho a noite fatídica. Nem um pio de pássaros do lado de fora. O medo e o pavor me furtavam a força física; Quando me aproximei da janela, abri a cortina E percebi um vulto distorcido de uma senhora Repetindo o monólogo: Até logo! Até logo!
Não pude conter meu grito de espanto. Algo tenebroso adentrou todo o meu ser. Por mais que eu tentasse não conseguia entender O que se passava próximo ao meu recanto De repouso e lazer ( Agora mesmo a Deus rogo) Ouvindo tal canto: Até logo! Até logo! Até logo!
A figura feminina trazia os cabelos alvejados. As vestes eram de uma claridade ofuscante. A pele alva dos corpos inertes não identificados Pelo meu cérebro que paralisava-se neste instante; Quando percebi que o vulto estava bem próximo Surrando aos meus ouvidos: Até logo! até logo!
Acho que desfaleci no crucial momento. Amanheceu o dia morno, sonoro e azulado. Quando dei por mim, estava no sofá, deitado. Balançava uma folha de papel pelo vento Que entrara pela janela e eu isento de escorvo.
Peguei da folha. Era o poema de Poe, "O Corvo". Até hoje, quando me lembro, ainda choro Das letras garrafais, na vidraça, que diziam: Até logo!
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