Ainda os Pássaros Voavam (7ª Poesia de um Canalha)

Data 30/05/2024 17:30:50 | Tópico: Poemas

Julgas que não sei ler o tamanho dos teus gritos
Estridentes ecos dessa loucura escrita em branco
E o azul do céu a trespassar-te o peito que abres
Que não digo quanto devo por te saciar os mitos
Urbanos de olhos fechados na vida só que tranco
Portas e almas do corpo fatiado por esses sabres

O teu tempo é o outro que não me traz o inferno
Do dia a dia a consumir o chão doente que olhei
Para ti como se foras de mais alguém outra vida
Alheia ao acaso de ter sido filho do lado materno
Seio que me deu num aconchego mãe que amei
Tanto o momento onde a coragem foi esquecida

Serve-te destas mãos que se escrevem absurdas
As palavras perfiladas em direcção a um abismo
Que se precipita depois da forca sem mais nada
Por esse mar fora em segredos de gentes surdas
Notas de pauta enroladas num breve eufemismo
Barato que contorce a nossa língua assassinada


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