
João de Barro
Data 24/04/2024 15:00:01 | Tópico: Poemas
| Qual é a graça da desgraça? Por onde andam os valores que não estão na praça? Não sei onde eu estou ou estava. Isso me deixa sem palavra. Em meio a essa safra Eu não sei o que se safa. A vida vive por um fio Derretendo no calor do mundo frio, Definhando e causando calafrio, Enchendo o mar e esvaziando o vazio.
O que é a minha vida diante do diamante? De amante da vida não há nada Nos que surfam na onda dominante. A minha vida não passa de uma escada. Uma escada descartável Sem nenhuma chance de ser reciclável.
Até a garça ri da raça Voando perdida. Até a garça acha graça Da vida derretida, sumida na fumaça. Qual passarinho passaria fome Vigiando a comida de quem come? Pobre João de Barro, obedece sem ser obedecido, Esquece que é esquecido e constrói sendo destruído. Ele sabe que foi jogado para escanteio. Ele sabe que pra ele o negócio está feio. Mas esgotado, bico calado, nada de freio. E nesse estado, nesse cercado, Se frear será esmagado.
Assim, sem nenhum movimento, O produtivo animal se transforma em um instrumento. Uma ferramenta, uma escada, um lombo de jumento, Um ponto para um pronto atendimento. O João de Barro sempre paga o pato. O João de Barro não sabe beliscar o prato. Só sabe beliscar o prato quem não paga o pato. Oh Pai! Se eu vir os bichos no pulo do gato ficarei grato. Dessa força que a gente bota, brota o que a gente quer. Se a gente se junta quem sabe assunta e de repente bate o pé.
Magno Ferreira
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