
Overdose - (o Corpo entre o "demónio e a Alma" )
Data 21/04/2024 15:38:04 | Tópico: Textos
| Abre-se uma estranha porta ao desconhecido ... um infinito de punhais, um demónio sem rosto. Algo entra - profundo, intenso, poderoso, dominador. A Alma humana é empurrada a um precipício de trevas internas angustiantes. Desce-se aos infernos da psiqué num continuado estado de permanência, um purgatório interior que sufoca, controla, manipula, por tempo indeterminado. Uma dificil luta interior entre esse estranho que se instala e nós próprios que queremos, exigimos o corpo de volta. É ser caçado dentro de nós mesmos sem ter meio de fuga. Só a força interior nos pode proteger, a fé e a vontade de voltar a ter "a casa" de volta e expulsar o invasor. E nessa batalha travada no corpo evidenciam-se o demónio e a Alma. A eterna luta entre o Bem e o mal. Aproximam-se Seres. Alguns querem proteger-te outros querem ter oportunidade de tomar-te o corpo também. E tu, ali estás, como um vidro partido, parado a meio tempo, estático, diminuido, num passo de impasse sem saber o teu destino ... rezando ... porque parte de ti está consciente mas a outra já foi tomada. É um medir de forças injusto e doloroso. Altera-se a percepção da realidade. Há paranóias, alucinações, desorientações sem espaço nem tempo, estados de pânico continuos e progressivos. A ansiedade parece lentamente diminuir ... mas volta sem piedade. E há náusias, vómitos, tonturas, não te sentes nem te vês. Uma espiral que ora sobe, ora desce, conforme a tua força interior sobe para a tua fuga e desce para te enterrar. Um vai e vem onde a meio da luta a tua já pouca humanidade consciente te traz à parte do cérebro que pouco dominas, imagens, histórias, pessoas, vivências, sonhos, planos, saudades dos mortos, medo de perder os vivos, é um quase descontrolo que o outro lado te gera pelo medo, pela ângustia, pela ansiedade. E é aí nesse limbo que te situas! Não adormeças, não podes adormecer, não deixes que "ele" te convença que adormecendo vai passar, é mentira, se adormeceres "ele toma-te", todo, por inteiro. E a questão não é se acordas, mas sim, como acordas. Podes nunca mais voltar a ser o mesmo. Enfrenta-o, sê tu, determinado a deteres o teu corpo de novo mas verás que nada voltará a ser como foi. Não serás o mesmo mas serás mais forte ...
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