
Gonçalo Salgueiro por Ricardo Maria Louro
Data 18/04/2024 13:56:00 | Tópico: Textos -> Outros
| Quando tu nasceste no céu da tua noite cintilaram as estrelas mais doces ouviram-se as melodias mais ternas. Fixaram-te os horizontes fugidios dançaram os poentes sobre o mar e até a Lua, envergonhada, se ocultou do firmamento! O vento, ora vento brando, ora vento Norte cantou ao menino d'oiro ... És tu o vento! Um sopro de saudade... E há quimeras, há silêncio - pausa e silêncio, obtusas lágrimas por chorar, carentes em galgar-te a face! Porque as seguras?! Porque as susténs?! Porque as não derramas se quando caem transformam-te o canto, moldam-te os versos, abrem-te a Alma ... Deixa que docemente te humedeçam a face e te possuam o timbre da voz. Por ti! Por mim! Por todos nós! E depois ... depois sorri ... sorri chorando nas margens de um rio junto ao tronco de um Salgueiro, aí, onde morrem e renascem as lendas dos amores ... ... eternas, sagradas, intemporais. Tu estás vivo, tu és vida! "Deixa que os mortos sepultem os seus mortos ..." e segue, veste a roupagem das andorinhas e canta, canta, porque dás mais vida à vida com teu canto e tudo renasce, tudo é novo, de novo! Não os oiças! "Eles" não sabem o que dizem! Avança no trilho do coração ... E um dia ... um dia tudo será como antigamente porque voltarás aos braços quentes da tua Mãe ... para sempre!
*Para o cantor, fadista e autor Gonçalo Salgueiro.
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