
Um vestido bonito à partida e à chegada
Data 02/12/2023 15:37:33 | Tópico: Poemas
| Um vestido bonito à partida e à chegada
São tantos os dias, em que me recordo do tempo em que os campos de searas maduras me tocavam a ponta dos dedos e me faziam sentir o preço da liberdade, assim como as papoilas a dançarem ao ritmo do som frenético do sopro do vento.
São tantos os sons e atropelos da vida, que paro para me deter nos sorrisos e inspiro o toque suave da ternura para mergulhar bem fundo, e me erguer neste desabotoar da minha alma.
São tantos os sorrisos que já não cabem na minha boca, tantas lembranças, são como a despedida de uma estação e fico aqui a acenar como se no meu lenço branco tantas vezes erguido estivessem bordadas as insígnias da paz a ponto Luz.
Ah! São tantas as saudades dos tempos já idos, tantas as vezes que vivi tempos fora do tempo, caí e levantei e sempre comigo me reconciliei.
Quantas vezes as cordas da minha sensibilidade foram arrancadas perante a cegueira, quantas vezes a indiferença passou ao lado, sem que eu lhe permitisse beliscar a minha paz.
E se um dia perguntarem o que foi feito de mim, nos dias em que nada mais souberem, leiam as cartas que escrevi à vida e depois deixem-se levar pelas minhas mãos e deixem que os meus olhos vos mostre os caminhos por onde andei e sintam a vida vestir-vos um vestido bonito, à partida e à chegada.
Alice Vaz de Barros
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