
Não culpe a chuva
Data 17/10/2023 19:26:40 | Tópico: Poemas
| No final, outros olhos vão definir se fui luz ou trevas Não será minha hipotética nobreza que virá me julgar Antes, é à espada do inimigo a que deverei responder Sem que escolha a companhia da harpa ou de belzebu Neste denso caminho das dualidades e subjetividades Sei que menti quando precisei reinventar-me no vazio Sei que menti quando devia iludir o mistério da morte E assim mesmo, navego só neste mundo de incertezas O pó do tempo d’outro século, já se deposita em mim Tempestades e tormentas insanas tatuaram-me a pele São memórias flutuantes do oceano de minha infância Onde escondi os perfumes dos bosques de eucaliptos De meus pecados e serpentes faço música rock’n’roll E confesso também me deleita o som e a dor do oboé Sei que nada neste labirinto me devolverá ao passado Então me entrego ao destino que nasce com a aurora Se eu morrer no domingo antes da chuva, não a culpe Afinal, não tem juiz mais sábio que o passar do tempo
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