
Evento das Estações - Poema Talvez Outono (R2)
Data 09/10/2023 01:09:42 | Tópico: Poemas
| A subtileza das cores desbotadas das folhas Atiradas ao chão pelo vento fino e quase frio A dançar entre as asas de pombos e pardais Enche de brilho olhares vadios que desfolhas Qual livros de poemas que mais ninguém viu As duas mãos abertas cheias de vidas banais
Os passos riam entre si em alegre sapateado Cantavam à chuva como no filme... mais real Enquanto dormiam sorrisos nos meus lábios E nesses teus olhos ou nesse corpo molhado Que se chegava assim a mim lindo e desigual As tuas mãos abertas eram velhos alfarrábios
As árvores despertavam na mais bela nudez A desfilar ali com pompa e sem circunstância Onde loucas apontam o dedo ao homem ruim E lhe falam reprovadoras com tímida lucidez Dessa vil atitude de as sufocar com ignorância As suas mãos abertas em galhos gritam o fim
O peso do cheiro húmido da terra parideira Carrega no ar as insensatas inconsciências Que alimentam a morte lenta dos gigantes Olhar fixo no horizonte turvo da vida inteira Espalhado num chão de humanas aparências Tantas mãos abertas nesses outonos amantes
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