Sombra

Data 07/11/2023 10:32:34 | Tópico: Poemas

Os dedos
rasos de utopia
colam-se a devaneios
fantasia
que me desliza na pele
e arrasta pegadas do tempo
em nós desarticulados
de certezas que jazem no chão
inertes.
Ri-se de mim
a indiferença dos relógios
lenta anestesia
do sopro que me corre nas veias.

De que vento gelado me tornei matéria
na desmemória dos incrédulos?


Não sei os deuses nem o céu
esmaga-me a terra
onde me procuro entre as cinzas dos medos
embrião de um ventre renascido
fogo
água
palavra
chão que seria
se nunca tivesse sido.

Em lugar algum me encontro.
Sou a sombra
no voo de um pássaro.




Este texto vem de Luso-Poemas
https://www.luso-poemas.net

Pode visualizá-lo seguindo este link:
https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=369480