
Pudesse eu, andar pelas calçadas
Data 23/09/2023 16:30:47 | Tópico: Poemas
| Pudesse eu, andar pelas calçadas,
olhar a transparência dos gestos, no mistério que veste os dias.
Pudesse eu, vislumbrar em cada olhar, uma alma que se eleva, leve e solta, desprendida de um qualquer olhar cego, na nitidez dos silêncios e das palavras.
Pudesse eu, sentir na imprecisão dos dias a amabilidade e iniciativa vestida de cuidado, como uma moldura de sensatez e responsabilidade.
Pudesse eu, esperar a alvura o olhar em dedicação, na margem de todos os caminhos da inconstância, sentir a esperança brotar levemente, bem docemente, emancipada, voluntariosa e precisa.
Pudesse eu, desfazer as realidades desafiadoras, na inexistência e todas as realidades que me rondam.
Pudesse eu, ver a bondade, na imensidão que se expõe tão inacessível e arrepiante à voz da indiferença.
Pudesse eu, sentir a leveza de tudo e munir-me de certezas, ainda que o vácuo da desesperança se levante.
Pudesse eu, deixar sair de mim esta criança inocente, segurar na sua mão, fitar o seu rosto angélico, reerguer um novo existir, e em novidade de vida, de peito aberto e afoito, receber em mim esta quietude, num olhar longe de mim, mais perto de Deus.
Alice Vaz de Barros
|
|