
Andar por aí
Data 13/09/2023 11:07:02 | Tópico: Poemas
| Andar por aí
Andar por aí É ser de novo Jogado para o alto, É ir trepado Nos teus ombros Sentindo o olor dos teus cabelos E o frêmito ao ver O contorno de teus seios.
Andar por aí É brincar de novo Na gangorra e no balanço, Sob um olhar de candura, Sentir o vento, As lufadas de ar No meu rosto e cintura.
Andar por aí É ver de novo O meu ferrorama Dando voltas e mais voltas Ao lado da minha cama.
Andar por aí É voltar a brincar e correr Pela praça, É viver num mundo Sem nenhuma ameaça.
Andar por aí É esquecer os sacolejos De mais uma viagem Repleta de agonia, A náusea e o desprezo Que me acompanham Até o fim do dia.
Andar por aí É imaginar-me de novo À barra de tua saia Quando preparavas o almoço E me falavas do perigo Das facas e do fogo
Para que, quando Eu fosse moço, Tomasse cuidado Com a cidade, Com tanto rebuliço E alvoroço.
Andar por aí É estar de novo No teu colo de acalanto, É dormir no embalo Dos teus braços E canto.
Andar por aí É voltar a ter esperança, É rever-me, Em cada rua, Em cada esquina E bairro, Os tempos idos de criança.
Andar por aí É repisar, repisar, Passo após passo, O entrelaço Da minha vida Com tanto aço, Vias, vigas e vidas.
É ver o transfigurar Da antiga vizinhança, De velhas ermidas e endereços Em tanta rua por que passo, Em multidão que não conheço, Mas na qual me vejo, Rosto antigo de menino Que nunca deixou De ser teu filho, Ó mãe, cidade, Deste andarilho.
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