Saíste aos poucos d’minha vida qual árvore que seca Foste retirando a tua presença, dia a dia, lentamente Por assim, talvez acreditar eu não pudesse perceber Mas o vento trouxe a dor de uma despedida pertinaz Distâncias e silêncios que imprudentemente ressoam Eu sonhava acordado construir essa vida em comum Abrigar-te da chuva e da umidade que dói nos ossos Mas me contagiaste com a umidade de tuas lágrimas E o guarda-chuva que deixaste, já nem importa mais Que pena que tu foste, sem saber do tanto que ficou São tantos os muros em que escrevi a nossa história Restam tantos, vazios, onde quis escrever teu nome Para que nessa absurda partida houvesse algo trivial Não há voltar atrás, não importa se é cedo ou tarde Não importa se a brisa da manhã ainda sopra fresca Nem os perfumes que meu olfato ainda teima aspirar Nada importa. O mar que olhávamos ainda estará lá Porém, os nossos olhos nunca mais estarão para ver Mas em mim, pouco a pouco, as feridas vão se curar E as cicatrizes serão novas linhas para criar o verso O poema, letra a letra, a tempo também te olvidará
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