Pouco a pouco

Data 21/08/2023 12:17:08 | Tópico: Poemas

Saíste aos poucos d’minha vida qual árvore que seca
Foste retirando a tua presença, dia a dia, lentamente
Por assim, talvez acreditar eu não pudesse perceber
Mas o vento trouxe a dor de uma despedida pertinaz
Distâncias e silêncios que imprudentemente ressoam
Eu sonhava acordado construir essa vida em comum
Abrigar-te da chuva e da umidade que dói nos ossos
Mas me contagiaste com a umidade de tuas lágrimas
E o guarda-chuva que deixaste, já nem importa mais
Que pena que tu foste, sem saber do tanto que ficou
São tantos os muros em que escrevi a nossa história
Restam tantos, vazios, onde quis escrever teu nome
Para que nessa absurda partida houvesse algo trivial
Não há voltar atrás, não importa se é cedo ou tarde
Não importa se a brisa da manhã ainda sopra fresca
Nem os perfumes que meu olfato ainda teima aspirar
Nada importa. O mar que olhávamos ainda estará lá
Porém, os nossos olhos nunca mais estarão para ver
Mas em mim, pouco a pouco, as feridas vão se curar
E as cicatrizes serão novas linhas para criar o verso
O poema, letra a letra, a tempo também te olvidará




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