… ou tão-só um poema

Data 28/07/2023 06:31:30 | Tópico: Poemas




E no vento

o que ficou da terra ardida

um coração de neblina

um corpo carregado

de regressos



ou tão-só

o frágil instante das ausências

o indefinível de nós.



Semeio a cor

sob as ardências

vertiginosas do verão



sob os fragmentos de horas circulares



inexoravelmente lentos

inevitavelmente sós.



Recolho na palma da mão

o silêncio gritante das esperas



talvez apenas o voo hesitante

de náufragas sílabas



ou tão-só

a memória de um tempo invisível que parou



inatingível



dentro de nós.




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