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não cubram de flores meu túmulo nem reescrevam minhas memórias
me procurem em túneis onde o trem não passa
no escarcéu do mar no barco à deriva e marujos desesperados
me busquem em frases de para-choques de caminhões a um triz do precipício da colisão
pensem com seus botões no clímax que os agonizam
no alçapão que destrava e os prendem quando desconectados se encontram no lapso memorial fremente
oh, me procurem nas fendas de rochas inalcançáveis que alcançam o centro da terra
nas sendas mortais que precedem a fúria
nos escombros da catedral atingida pelo míssil ao lado do cemitério florido onde jazem meus restos mortais e os dos animais meus amigos desde o corte do meu cordão umbilical
me procurem no vácuo onde o cão de capa preta deseja trepar com as virgens santas de um incesto na fragilidade da carne
oh! não cubram de flores meu túmulo! minha vida foi o cúmulo da paz branca que se traveste em cinzas ao vento no lado obscuro do sangue carmesim...
o lado roxo pigmentado de preto: o folículo não-coagulante dolorido de um câncer no universo abstrato
em que os espíritos de sodoma e gomorra se divertem muito além de céu e inferno inimaginável na dimensão onde o lixo humano gravita
sem meios de voltar para escrever sua passagem à partir da morte
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