
CORDEL MONETÁRIO
Data 28/06/2023 23:05:11 | Tópico: Poemas -> Sociais
| CORDEL MONETÁRIO
Ouvidos de mercador Escutam quando convém: Fale o freguês com desdém Do produto ou seu valor E o vendeiro, sonso ou pior, Fingindo que nada escuta, Força cara de paisagem… Se pechincham por vantagem, Ignore qualquer disputa Quem vive de porcentagem!
Eis um homem muito humano… Atento às necessidades — E sobretudo às vontades! — Dos que buscam, salvo engano, O interesse quotidiano. Vem como quem não quer nada, Sondar alheios desejos Com regalos e gracejos Enquanto varria a entrada Ou esfregava os azulejos.
Pelo sim; pelo não, solta Um sorriso obsequioso, De que, gaiato, faz gozo A quem lhe sorri de volta, Mostrando-se curioso. Logo um mundo de vantagens Desfila diante dos olhos Do incauto posto de antolhos Qual cavalos de carruagens Ao pastar entre restolhos.
Não perde por esperar… Com verde colhe maduro No sentimento inseguro, Que faz o mundo girar E viver só no futuro. Mas, ironias à parte, A oculta mão do mercado, Desde o varejo ao atacado, É quem reduz engenho e arte Ao vil metal dourado!
Betim - 28 06 2023
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