
Femina ou A dura tarefa de ser mulher no mundo rude de 2023
Data 06/06/2023 02:46:07 | Tópico: Poemas -> Sombrios
| Uma amiga morreu no lar onde devia ser seu refúgio seguro Sua lembrança me devolve às ruas da infância, pipas e piões Lembro-me da sua boca pequena confiada a tantos sorrisos Tempos que não haviam balas perdidas ou punhais erguidos Como se pudesse tomar distância dos ardis da modernidade Pela janela do trem, vejo a sombra a contornar a paisagem Rodas e trilhos são qual um tambor desafinado no caminho Conspiram cinzas ao passarem as últimas praças com flores São qual ecos do entardecer que se embriagam pela cidade A assustar cães vadios que comem restos na beira do trilho Onde também dormem os viciados condenados ao fracasso Essa paz ilusória oferece seu engano a todos os impostores Se o tempo não volta, a mão assassina vem em duas rodas A própria carnalidade se faz ameaçada a cada desatenção Políticos ou togados não! Sobrevoam o mundo sem tocá-lo É tão difícil quão não é prudente, levar luz delatora a eles Não são vícios na paisagem que lastimo, sim o despropósito O aço cravado nas costas da mãe mulher, pela impunidade Desculpas não logram enganar-me, porque é hora de reagir Não como lamento que chega extemporâneo, sim aqui e já Mostrar-lhes o ruído de nossas armas, da caneta e o papel São seis da tarde, o retorno da cidade chega a seu clímax Em um sinal oculto ou uma língua que fale o idioma da luz As noites vão e vêm e pessoas mendigam um naco de Deus E o respeito pela vida segue abandonado, nu de intenções A marca do corte, a ferida esquecida, o gole frio do café Cascalhos urbanos, o rosto da cidade sobre a mesa do bar
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