
Bom dia
Data 25/05/2023 21:09:08 | Tópico: Poemas
| Escutava-se um alarme obsceno e brevíssimo Que insiste despertar-me com só uma palavra Na simulação de uma amordaçada liberdade Um ou dois sonhos suspeitos se fazem impor Uma nada breve chuva que cai sobre acácias O pesadelo vem visitar inusitadas geometrias E hexâmetros perfilados na inutilidade diária Vêm me resgatar da mesmice de certas linhas A manteiga está fria, o orvalho cai em espiral E sob a toalha, repleta de crocantes migalhas Está a mesa onde virei rabiscar meus escritos Ao jornal com pequenos espaços d’annunzios Ainda se exige alguns bocejos antes do papel Como a chuva, para essa insondável sucessão Das manhãs de outono que vêm me roçando Pressentidas, quase dolorosas e desgarradas O cheiro peculiar do tisnado café indaga-me Perscruta e cerca-me com mil braços de Kali Eu lhe direi que é só do gozo que me lembro
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