
Infinito
Data 16/05/2023 05:10:17 | Tópico: Poemas
| O cinza amordaçado no arrebol é a minha voz que lá canta No meu desolado voo de pássaro na chuva, a chegada crua D’um murmúrio liláceo incessante quando vêm o dia e o sol Que não repõe a palavra mutilada quando era apenas noite Quando a abriguei na garganta aprendendo escalar o vento Um pássaro morto não voa, só retrata a solidão azul e alada Que o silêncio a fez prisioneira, nas mãos caiadas da bruma Os fidalgos senhores do silêncio, não querem o meu cantar Mas não aprendi tramar jaulas e nem aprendi erguer muros Quanto chamei, quando chamei, tenho chamado até nunca Confiei ao vento meu desejo de estar sem idade, sem medo Sem piedade por mim, sem uma morte da qual me esconder Também sem querer ser anjo ou profeta, sem ferir ninguém As pedras, as plumas, as folhas do livro e o fogo subjugado Sejam apenas o conhecimento do mágico delírio que é amar Não vim mudar a civilização, só escrever um poema à moça Tirar a máscara e, na última linha, dar de cara co’o infinito
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