
VERSOS NA PRIMEIRA PESSOA
Data 02/05/2023 08:53:09 | Tópico: Poemas
| Eu acredito que sempre soube que, comigo, seria assim. Que iria virando esquinas, mas que jamais esqueceria as ruas, e que os tons cinza, como mapas encardidos nas paredes nuas, trariam consigo os risos ocultos das outras cores, por fim.
Com essas cores fui pintando a imagem da cidade conhecida, decompondo-a nos detalhes de cada revelado recanto, sentindo-lhe o pulsar subterrâneo e o vigoroso encanto com que se desnudava e abria aos meus passos, oferecida...
Por isso foi andando que a penetrei, num lento progredir. Conheci-lhe todos os meios, todas as horas, todos os cheiros, quem a erguia e compunha, e os passantes apenas, romeiros de um caminho já pronto para se percorrer, e se usufruir.
Caminhei a cidade até á exaustão, até a saturar dos meus passos. Até reconhecer as caras daqueles que a amavam da mesma forma, sem obediência a nenhuma regra, nem seguindo qualquer norma, mas, como eu, apreciando-lhe as feições, decorando-lhe os traços.
E foi na cidade, e nos seus mistérios e tantos segredos, que me soube maior do que me sabia, ou apenas adivinhava, e percebi que haveria ainda uma outra estrada, jamais sonhada, por onde ainda me lançaria afoito, apesar dos medos...
copyrightHenriqueMendes/2009
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