
A forja
Data 26/04/2023 15:23:00 | Tópico: Poemas
| É imperioso acreditar nos sonhos para se compreender a poesia Bem antes das respostas situa-se o entendimento das perguntas A notória inclemência do tempo se opõe dura ao conhecimento Uma só existência é tão curta para tudo o que deve responder O que quero, o que devo e o que posso coexistem todas horas E impende que saibamos diferenciar a farsa, da inocente ilusão Saber disso não se mostra nos brados dos discursos inflamados Antes, nos pequenos silêncios interiores que a vida nos permite E quando se acha tudo se fez claro, explicável pelo nexo lógico Há a poesia que, com afeto, a nada pacifica e a tudo questiona O poema não germina das elaborações magistrais dos intelectos Reside adormecido nas entranhas, nutrido das dores de amores O verso aguarda, qual aço na forja, o ferreiro que o fará lâmina Para reabrir as chagas indeléveis da alma, ao expor seus medos E qual a argila que ganha vida na mão do artesão, desses medos Moldará o orgulho do poeta ao saber que a vida deve ser vivida Intensa, pura, além das aparências, sem recuar ou medo de sofrer Admitindo que até nas perdas seu coração pareceu quase imortal Pois não sabemos onde estará a linha de chegada na prova da vida Ao apagar das luzes, o romance e os sussurros mostrarão seu valor O mesmo poema cantará tantas chegadas quanto outras partidas Quão vazio seria o ressoar da voz se não tivesse histórias a contar
|
|