
O macaco de pedra
Data 24/04/2023 10:58:05 | Tópico: Poemas -> Reflexão
| Tão estranho como o silêncio constrangedor Que afoga as mágoas de solitários Presos em suas próprias armadilhas Era a imagem da solidão agora transformada em estátua Depois de conduzir os peregrinos Na direção contrária do sol.
Eu me calei diante da situação irreal Porque não sabia exatamente o que fazer O macaco de pedra poderia exaltar-se E arrancar o coração dos desafortunados Como se fossem alimentos para saciar a fome Dos que vivem jogados pelas ruas desertas.
De nada adiantava os gritos na madrugada Ninguém se importa com a dor do outro Cada um segue o seu caminho em silêncio Que é para não incomodar os que cochilam Nem mesmo perturbar os que estão vidrados na tela Como se o mundo não importasse mais.
Olha só o que pode acontecer caso não ouça Uma mistura de cogumelos alucinógenos É bem capaz de revelar segredos ocultos E desmascarar os falsos profetas que estão por ai Até mesmo os videntes com suas borras de café Terão um dia de desespero para amenizar.
Abra os olhos e contemple a estátua no saguão Quem pode negar que seja do macaco de pedra O mesmo que desejava ter uma visibilidade exagerada Que afirmou ser o enviado dos deuses Para resolver os sérios problemas da humanidade E não fez nada além de enriquecer-se a custa dos outros.
Eu não vou falar mais nada Estou cansado de expor a verdade que ninguém dá ouvidos Melhor seria que me escondesse nas montanhas Que fosse lançar iscas para os peixes no rio Tudo agora é mais confuso do que foi outrora Então é melhor deixar que aconteça o que tem que acontecer.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense www.odairpoetacacerense.blogspot.com
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