
SILÊNCIO TRAIÇOEIRO
Data 06/05/2008 21:20:37 | Tópico: Poemas -> Sombrios
| Vacilo no meu silêncio que pensava ser meu mas havia outro afinal Porque me o roubaste?
Eu sempre acreditei Que esse silêncio era meu Tocaste-me sem uma palavra Só com o teu corpo e a tua alma Fizeste-me perder aquele medo Que sempre guardaste em segredo Falavas-me da lua em noite calma Até num céu de estrelas me fizeste crer E hoje aqui estou ainda sem saber Porque me tiraste esta ilusão Em troca de uma outra qualquer paixão
Quem começou este jogo Foste tu indiferença da verdade Encoberta de rosto de mulher Pelo véu de ciúme demente Feito de pedaços do azul do céu Hesitaste no momento Em que me quiseste tocar perdido em mim, em ti, em nós...
O jogo acabou, não pode durar (Os sonhos jamais alguém pode desafiar) Sem olhar para trás, tenho que te afastar Inocente talvez, transgressor fiquei Violei e roubei todas as palavras da lei Tantas foram as vezes Que quis transformar em palavras O desejo que por ti senti A ternura da tua boca Quando se juntava calada com a minha Lábios que não sabiam falar Jamais te poderei perdoar A ti e só a ti dei todos meus receios Envolveste-me em todas as minhas dúvidas Acariciaste todos os meus encantos Foste cúmplice das minhas incertezas Tomaste conta de mim, insana paixão Queimaste todas as minhas palavras Mar a dentro levaste-as num caixão Até ao bar que se erguia na ilha deserta Descrita sem rumo e em parte incerta Brindávamos a tudo de copo na mão Dançávamos na praia até ao fim da rua As horas caladas e a noite não passava Levava o castigo de te ter como escrava.
Olhos a brilhar, cheios de paixão De volta regressávamos a casa Voando na noite pelo azul do chão Seguro pelo anjo que me protege Apenas com um bater de uma só asa A tudo um milagre apenas se deve Ficavas comigo até o sol nascer Mas, um copo contigo não irei mais beber.
Pergunto à vida o que falhou O amor não estava todo ali Foi o sonho da vida que me tramou Vai-te embora de vez daqui Já não te ouso lembrar saudade Sempre acreditarei na mentira Que seja bendita esta maldade Que o afogo traz e não tira Ao falar da verdade que mente De um anoitecer tardio e carente
Já não te consigo vislumbrar Dormente silêncio traiçoeiro Não há mais nada que te possa dar Indiferente por ti, embriagado fiquei Não há nada, nada que te quero deixar Nem o verdadeiro engano que confiei Sozinho brindo a tudo e bebo o nada Calado, talvez sofrido, levo-te a alma Alma vazia sem memoria de ti Só mais um passo de ti se separa de mim Este fim que aqui te deixei assim
© Jorge Oliveira
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