
Vírgula
Data 17/04/2023 23:30:48 | Tópico: Poemas
| Há vezes que sento-me na solidão do aconchego ilusório desta cadeira E como hábito, um rito, um clamor ao qual não sei negar, me adjudico Para ir buscar dores nas entranhas que já vi, que já ouvi ou que já vivi Letras quais semeadas brotem lágrimas que sejam gênese deste poema Em um canto de lamúria muda, o que revelo esconde a pessoa que sou Onde caiu a vírgula, majestosa, tudo transforma e assim te conquistar Definindo minha presença na tua vida, dentre os desejos mais solenes Outros tão íntimos, em forma de poesia pálida derramada neste papel Quem sabe desejos eletrificados, não importando se é amor ou paixão Os sonhos que não se pode ler, ora que se ocultam, venhas despontar Meus olhos já vislumbraram o irreal por trás de saudades petrificadas Basta dessas horas mastigadas a instigar agonias que não se esquece Cessem os conceitos ou postulados obsoletos para controlar a palavra E do reproche nos caminhos pré-traçados e coreografias tão corretas Busco a delicadeza na fúria, o trovão no sopro e um abraço infindável Quero desconfigurar o mundo, sem medos cotidianos ou unhas roídas Um só minuto e ir de encontro ao que sinto sem enganar meu coração E ainda que não haja mais dor a ser sentida, ainda transpirem emoções Na página virada rumo a amanhã, sentir teu cheiro em forma de poesia
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