
Estrelas partidas
Data 17/02/2023 11:55:32 | Tópico: Poemas
| Na noite de brumas, não espero a vinda da luz Nem céus de brigadeiro, coalhados de estrelas Esvanecidas pelo tempo em ocultos ondulares Em que restam tão só angústias assombreadas
De todas músicas que nos tocavam o coração Não ouvirei as vozes de um universo ancestral Ou o chamado amigo que convidava ao abraço O campanário de outrora não toca suas elegias
Na noite cinza a chuva persiste, cai indolente Sobre as estátuas frias n’um jardim sem flores Onde correram águas tranquilas e rios cálidos As gotas quais cristais se partem no mármore
Aonde já arderam desejos, eruptos em chamas Hoje é deserto, milhas e milhas de tanto nada Uma alma cinzenta emergida d’um mar de nãos À espera de ressureição pelas estradas do céu
Segredos errantes sopram ao vento frio do sul Orvalho de neve que se faz pelo hálito celeste Eu, surdo a tantos signos, afirmo que acredito Que, seja só sonho, os astros voltarão a brilhar
Em homenagem a Clélia Fátima de Almeida Angeline, amiga há 50 anos que ora nos deixou. Dela partiu a ação que me fez pintar e incentivou minha forma de escrever. O céu tem uma estrela a mais.
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